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Amazofuturismo previu tecnologia futurista.

Tecnologias do Passado, Visões do Futuro: o que as urnas do Lago do Cochila nos dizem sobre o Amazofuturismo

por | jun 25, 2025

Debaixo de uma árvore milenar no Lago do Cochila, arqueólogos revelam vestígios de um passado que desafia o presente — e aponta para futuros amazônicos possíveis.

 

No vasto e exuberante cenário amazônico, onde a vida floresce em meio às águas, raízes e árvores, uma árvore secular tombou. O que inicialmente pareceu ser um mero evento natural acabou por desvendar um segredo ancestral: sete urnas de cerâmica utilizadas para fins funerários, cuidadosamente enterrados sob o solo de uma colina às margens do Lago do Cochila, em Fonte Boa, Amazonas. A descoberta, realizada por arqueólogos do Instituto Mamirauá em colaboração com habitantes locais, reacende indagações sobre a identidade dos povos que habitaram — e faleceram — naquela região.

Responsável pela coordenação dos estudos, a arqueóloga Geórgea Layla Holanda, do Instituto Mamirauá, conduz os trabalhos de recuperação das urnas.

Sob as raízes expostas, as urnas estavam dispostos com esmero, a uma profundidade de cerca de 40 centímetros. Com dimensões de até 90 centímetros de diâmetro, continham fragmentos de ossos humanos, bem como resquícios de peixes, tartarugas e vestígios de fogueiras. Tais indícios sugerem que, além do sepultamento, havia um ritual de despedida, que incluía alimentos e possivelmente oferendas. A ausência de tampas de cerâmica indica que os recipientes podem ter sido vedados com materiais orgânicos que, com o passar do tempo, se deterioraram.

A localização da descoberta não foi aleatória. Os recipientes estavam situados em uma elevação artificial — uma das inúmeras ilhas construídas pelos povos indígenas para habitar as áreas alagadiças do Médio Solimões. Essas ilhas, erguidas manualmente com terra, cerâmica e outros materiais, permitiam que as comunidades resistissem às inundações sazonais. A constatação de sepultamentos nesse tipo de estrutura reforça a ideia de que essas várzeas não eram apenas locais de passagem, mas sim espaços de vida permanente e de profunda espiritualidade.

A escavação dessas urnas funerárias representou um desafio tanto técnico quanto simbólico. Devido ao fato de estarem suspensos nas raízes, a mais de três metros do solo, foi necessário construir um andaime feito de madeira e cipós da floresta. Para tanto, contaram com o auxílio dos moradores da região, como o pescador Walfredo Cerqueira, que conhece o Lago do Cochila como poucos. Para os arqueólogos, esse trabalho em conjunto foi mais do que uma questão logística — foi uma troca de saberes entre a ciência e os conhecimentos tradicionais.

Cada urna foi cuidadosamente retirada e transportada para Tefé, a fim de ser submetida a análises por especialistas. Serão realizados testes de datação por carbono-14, estudos osteológicos dos restos humanos e investigações sobre a cerâmica — incluindo sua origem, técnicas de produção e relação com outras tradições do Alto e Médio Solimões. Os primeiros indícios apontam para práticas funerárias complexas e um conhecimento avançado da ecologia local.

Entretanto, é possível que o ponto mais tocante dessa narrativa não resida unicamente nas evidências científicas, mas sim no ato que as originou. Uma pessoa confeccionou aquelas urnas com esmero. Uma pessoa selecionou aquele local, transportou os restos mortais, preparou as oferendas e lacrou o sepulcro. Uma pessoa — seja há séculos ou milênios — sentiu tristeza. E essa pessoa faz parte de uma comunidade que ali imprimiu sua história, não com a intenção de ser apagada, mas com a esperança de ser trazida à luz novamente.

Essa descoberta fortalece outros achados arqueológicos em toda a Amazônia, em especial aquelas feitas por Eduardo Goés Neves, cujos estudos determinaram que na região amazônica podem ter vivido cerca de 10 milhões de pessoas antes da chegada dos invasores espanhóis e portugueses. Ela também indica fortemente que os povos originários do Bioma Amazônico possuíam conhecimento e tecnologia suficientes para modificar o meio ambiente, sempre de maneira positiva e em comunhão com a fauna e a flora. Esse conceito está de acordo com o Terceiro Pilar do Amazofuturismo, que diz que “Os avanços tecnológicos devem estar em harmonia com o meio ambiente.”

Portanto, a descoberta das urnas funerárias no sítio arqueológico do Lago do Cochila fortalece os Cinco Pilares do Amazofuturismo, criados pelo escritor Rogério Pietro. Os avanços da arqueologia brasileira são celebrados pela ficção científica nacional, e o amazofuturismo cresce com essas novas descobertas.

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